
Mesmo com a suspensão temporária do “tarifaço” anunciado pelo governo dos Estados Unidos, o Ceará já calcula possíveis prejuízos de, no mínimo, R$ 1,6 bilhão em suas exportações, segundo estimativa divulgada pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado. O impacto se dá principalmente sobre a produção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), responsável por mais de 70% das exportações cearenses.
A previsão leva em conta o cenário de instabilidade gerado pela ameaça de sobretaxas ao aço e ao alumínio brasileiro, anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Embora o aumento das tarifas tenha sido adiado, a insegurança no mercado já provocou uma desaceleração de contratos e negociações internacionais.
Segundo o titular da SDE, Salmito Filho, o efeito imediato da instabilidade gerada pela medida dos EUA é a retração de pedidos de clientes internacionais. “Mesmo sem a efetiva aplicação do tarifaço, o dano já é real e afeta diretamente a balança comercial do Ceará”, afirmou.
Com grande parte de suas exportações concentradas nas placas de aço produzidas no Complexo do Pecém, o estado depende fortemente do comércio exterior com os EUA, seu principal parceiro comercial. Em 2024, mais de 70% das vendas externas do estado foram destinadas ao mercado norte-americano.
A expectativa do governo estadual agora é ampliar negociações com outros países e atrair novos investimentos para diversificar a pauta exportadora. Além disso, articulações com o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos seguem em curso para garantir a permanência do estado brasileiro em condições comerciais competitivas.