
(Imagem: Reprodução)
Passados os festivais de Veneza, Telluride e Toronto, no início do mês, os olhos do cinema mundial se voltam para uma coisa: a temporada de premiações hollywoodianas. Nas últimas semanas, algumas das principais publicações da indústria cinematográfica, como Variety e Hollywood Reporter, começaram a divulgar suas listas de previsões para indicações ao Oscar 2026. O brasileiro “O agente secreto” vem sendo apontado como forte possibilidade nas corridas de melhor filme internacional, melhor direção, com Kleber Mendonça Filho, e melhor ator, com Wagner Moura. Mas um nome do filme citado pelas revistas deixaram muitas pessoas surpresas: Tânia Maria como melhor atriz coadjuvante.
As publicações apontam que uma indicação para a atriz potiguar é um tiro distante. A Variety cita Tânia como a 25ª colocada num ranking de possíveis indicadas. Já a THR coloca a brasileira na 17ª posição. As colocações podem não significar muito numa corrida por uma indicação de fato, mas a simples presença de Tânia na lista, à frente de nomes consagrados como Sissy Spacek (“Morra, amor”), Laura Dern (“Jay Kelly”) ou Mia Goth (“Frankenstein”), serve para jogar uma luz sob essa nova estrela, de 78 anos, do audiovisual nacional.
Tânia Maria tinha 72 anos de idade quando pisou em um set de filmagens pela primeira vez. Moradora de Cobra, povoado de Parelhas, no Rio Grande do Norte, a artesã integrou o time de figurantes de “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, rodado no povoado da Barra, na mesma região.
— Conheci Kleber na hora do almoço. Eu era figurante em “Bacurau” e estava almoçando em Barra. Figurante não fica muito perto dos donos (risos), mas ele me chamou. Estavam Kleber, Juliano Dorneles (codiretor) e Leonardo Lacca (preparador de elenco) numa mesa. Ele falou: “vem aqui almoçar com a gente, conta um pouco da sua vida” — lembra Tânia.
E o simples almoço transformou a vida de Tânia. Ela não só despertou a atenção e a admiração de Kleber, como cativou os outros profissionais na mesa. Acabou chamada por Leonardo para atuar em “Seu Cavalcanti”, documentário com elementos de ficção que fala sobre seu avô, o personagem-título, em cartaz nos cinemas. Já Juliano tratou de convidá-la para atuar em “Delegado”, série policial estrelada por Johnny Masssaro e com estreia prevista para 2026. Em “Bacurau”, ela também conheceu o produtor associado Tiago Melo, que a convidou para atuar no longa ainda inédito “Yellow cake”, rodado em Picuí, no sertão da Paraíba.
Com convites para apresentar “O agente secreto” em Tocantins e no Rio de Janeiro, Tânia se anima com as conversas sobre Oscar, mas sem planos para ir à cerimônia em Los Angeles.
— Eu deixei de ir para França (para a estreia em Cannes) porque eu era fumante e não conseguiria ficar 12 horas sem fumar. Agora eu parei de fumar, mas ainda não tenho coragem de ir para fora. Mas no Brasil, pode botar que eu vou — se diverte a atriz. — Não sei nem o que é Oscar, mas fiquei contente demais só de ter meu nome na lista, é uma honra muito grande.