
Crianças e adolescentes com alto potencial intelectual, acadêmico, artístico, psicomotor ou de liderança, de forma isolada ou combinada, são identificados como superdotados ou com altas habilidades. No Ceará, 800 alunos incluídos nesse grupo estão matriculados em escolas em 108 municípios, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A superdotação é um fenômeno multidimensional e é identificada por habilidades acima da média em uma ou mais áreas do conhecimento.
No Brasil, as crianças e adolescentes considerados superdotados são público-alvo das políticas da Educação Especial, conforme o Decreto 12.686/2025, junto a estudantes com deficiência e com transtorno do espectro autista. Isso porque há o reconhecimento de que esses alunos têm a necessidade de políticas educacionais específicas para terem o desenvolvimento garantido.
No Ceará, de acordo com o Censo Escolar 2025, a educação especial contabiliza 160.556 matrículas. Desse total, 800 são de estudantes identificados com altas habilidades ou superdotação.
A modalidade abrange, além desse público, alunos com cegueira, baixa visão, surdez, deficiência auditiva, surdocegueira, deficiência física, deficiência intelectual, deficiência múltipla, transtorno do espectro autista e visão monocular.
Dos 184 municípios cearenses, 108 registram alunos com superdotação. A maior concentração está em Fortaleza, com 272 estudantes, seguida por Paracuru (91), Juazeiro do Norte (29) e Barbalha (28). Nos outros 104 municípios com registro de crianças e adolescentes superdotados, o total não ultrapassa 20 estudantes por cidade, segundo o levantamento. Em 41 cidades cearenses, há apenas um único aluno identificado como superdotado ou com alta habilidade.
No cenário nacional, em 2025, a educação especial registrou 2,4 milhões de matrículas, das quais 56 mil são de alunos com altas habilidades, de acordo com o Censo.
Os dados divulgados são da primeira etapa do Censo Escolar, levantamento realizado e divulgado anualmente que reúne informações sobre escolas, professores, gestores e turmas. Esses números devem traçar um retrato da realidade, mas, no caso da educação especial, podem revelar mais sobre a capacidade de identificação e registro de cada rede de ensino do que, necessariamente, sobre a dimensão exata do público atendido naquele momento.