
Mais da metade das famílias do Ceará, do Pará e de São Paulo não lê ou raramente lê livros para as crianças. Esse dado faz parte do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (International Early Learning and Child Well-being Study – IELS), pesquisa desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e realizada no Brasil por uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Os resultados, divulgados nesta terça-feira (5), apresentam o nível de contato das crianças matriculadas na pré-escola com a literatura e fazem parte da análise sobre o ambiente de aprendizagem em casa (AAC) que integra a pesquisa, com foco nas interações, uso de dispositivos digitais e no envolvimento parental com a educação infantil.
O estudo ouviu pessoas nos estados do Ceará, São Paulo e Pará. Foram analisadas 13 atividades extraescolares, como cantar, desenhar, brincar de faz-de-conta, contar histórias e ler para a criança. Um dos dados que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi que, no Brasil, 53% das famílias entrevistadas afirmaram que nunca leem livros para seus filhos, ou leem menos de uma vez por semana.
A pesquisa também revelou que 33% dos entrevistados leem com os filhos de uma a duas vezes por semana e apenas 14% das famílias relataram que leem de três a sete dias por semana para as crianças.
Ainda que o dado possa ser motivado pelo alto número de crianças em situação de vulnerabilidade econômica, o que dificulta a aquisição de livros, outra informação da pesquisa preocupa em relação ao contato dos pequenos com a literatura.
Segundo o IELS, 51% das famílias ouvidas afirma nunca contar histórias que não estejam em livros para os pequenos, ou fazê-lo menos de uma vez por semana; 31%, que conta histórias para as crianças de uma a duas vezes por semana; apenas 17% responderam que a contação de histórias está presente de 3 a 7 dias por semana em suas casas. Assim como a leitura conjunta, a atividade é considerada pelos pesquisadores como essencial para estimular o desenvolvimento infantil.
O estudo entrevistou 2.598 crianças de 4 e 5 anos matriculadas em centros de educação infantil ou escolas de 89 municípios dos três estados brasileiros. Os dados foram coletados em 210 das 240 escolas previamente selecionadas para a pesquisa e os estados tiveram participação igualitária – ou seja, a pesquisa contribui com uma amostra representativa considerável de cada estado.