Toquinho chega aos 80 anos como um craque do violão e como um assumido hipocondríaco que cola até dente

Quando alguém menciona o nome de Toquinho, a primeira coisa que vem à mente geralmente é a canção “Aquarela” (1983) – standard do repertório infantil que seduz crianças e adultos de todas as idades pela singeleza aliciante – e, em um segundo momento, as músicas da parceria desenvolvida pelo artista com Vinicius de Moraes (1913 – 1980), geralmente na cadência de sambas leves e sedutores , ao longo dos anos 1970, década em que a dupla Toquinho & Vinicius marcou época com sucessos como “A tonga da mironga do kabuletê” (1970), “Regra três” (1971) e “Tarde em Itapuã” (1971).

Contudo, Antonio Pecci Filho – artista paulistano nascido em 6 de julho de 1946, há exatos 80 anos – é também violonista excepcional. Um músico que desde cedo se revelou prodígio do instrumento, assombrando violonistas e professores como Paulinho Nogueira (1929 – 2003) pela técnica intuitiva que Toquinho depuraria posteriormente em anos de estudo com Nogueira e com outros mestres do violão, como Isaías Sávio (1900 – 1977) e Leo Peracchi (1911 – 1993).

É essa faceta – a do violonista excepcional, dono de toque cuja precisão rítmica concilia uma pegada popular com o rigor técnico dos eruditos – que fica evidenciada no documentário “Toquinho – Encontros e um violão”, dirigido por Erica Bernardini e programado para entrar em circuito na próxima quinta-feira, 9 de julho, na semana dos 80 anos de Toquinho, o mais novo octogenário da música brasileira.

Com estrutura linear, o roteiro do filme é conduzido por entrevista em que Toquinho rememora os momentos mais importantes da vida e obra, entre depoimentos de nomes como o contemporâneo Ivan Lins, o guitarrista Andreas Kisser, a cantora italiana Ornella Vanoni (1934 – 2025) – com quem Toquinho & Vinicius de Moras gravaram álbum na Itália em meados dos anos 1970 – e o jornalista Pedro Bial.

A fraternidade que rege a relação de Toquinho com o irmão João Carlos Pecci – intensificada quando João ficou paraplégico em decorrência de acidente sofrido na juventude – também é posta em foco no filme em que Toquinho confirma e justifica a fama de hipocondríaco.

Sim, Toquinho é aquele que anda com malas de remédios nas viagens. O artista porta um arsenal médico tão completo que, em certa ocasião, quando estava em turnê, conseguiu pôr no devido lugar o dente quebrado de um músico com cola norte-americana usada somente por dentistas.

Toquinho completa oito décadas de vida em 2026, ano em que também celebra os 60 anos do lançamento do primeiro álbum solo, “A bossa de Toquinho”, disco produzido por Manoel Barenbain e lançado em 1966 com repertório centrado em músicas de compositores associados à Bossa Nova.

O primeiro sucesso, “Que maravilha”, veio em 1969 em parceria com Jorge Ben Jor, para espanto do amigo e parceiro (no posterior “Samba de Orly”, de 1971) Chico Buarque, com quem Toquinho somente brigou por causa de futebol, como o próprio Toquinho conta, divertido, no filme de Érica Bernardini, justa ode a esse craque do violão que hoje se torna octogenário.

*Conteúdo especial doPortal G1.

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