
Liderando o ranking nacional de crianças alfabetizadas na idade certa pelo terceiro ano consecutivo, o Ceará possui uma trajetória consolidada de políticas públicas voltadas para a educação. Embora a média de alfabetização (84%) seja alta, ainda existem municípios em que menos de 60% das crianças finalizaram o 2º ano do Ensino Fundamental em 2025 sabendo ler e escrever.
Garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas no período certo, considerando as realidades e contextos educacionais, foi um dos princípios discutidos no Seminário Nacional pela Alfabetização, realizado na última semana, em Fortaleza.
Para o diretor-presidente da Associação Bem Comum, uma das promotoras do evento, Veveu Arruda, a busca pela equidade na alfabetização começa com a capacidade de compreender que cada indivíduo possui particularidades que devem ser respeitadas.
“Quando olhamos essa média [de alfabetização do Ceará] a fundo, vemos ainda o desafio da equidade. Não apenas no estado ou no município, mas até mesmo dentro de uma sala de aula, onde você pode ter crianças que são pré-leitoras, que são leitoras iniciantes ou aquelas que são fluentes. Numa mesma sala, com a mesma professora, você tem essa realidade”, diz.
Diferentemente da igualdade, na qual todos são tratados da mesma forma, a equidade se caracteriza pelo reconhecimento de que as pessoas têm necessidades diferentes e que precisam de apoio específico para um resultado final justo.
Ceará precisa seguir avançando
Dos 184 municípios cearenses, 20 terminaram o ano de 2025 com 100% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA), parâmetro criado pelo Governo Federal em 2023. Por outro lado, cinco municípios não atingiram 60% do índice, incluindo dois dos maiores do Estado:
Juazeiro do Norte – 55%;
Icó – 57%;
Campos Sales – 58%;
Caucaia – 58%;
Acopiara – 59%.
Arruda defende que ter dados como os do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), ajuda a identificar onde estão as defasagens e também o que precisa ser feito.
“Nós temos que conhecer esses dados. Se você não enxerga isso, como é que você vai resolver? Você vai pensar que não existe. Então, a avaliação assegura a visibilidade dessa desigualdade de aprendizado”, reforça. Ciente das desigualdades, é preciso traçar estratégias específicas para alcançar as crianças que o sistema ainda deixa para trás, afirma Hylo Leal, coordenador de avaliação da Associação Bem Comum. “O que precisamos agora é apoiar essas cidades em termos técnicos, de incentivos e também de acompanhamento de gestão e de gestão pedagógica”, diz.
Com políticas públicas de alfabetização do Ceará nacionalmente conhecidas e usadas como referência, Leal acredita que o diferencial para o Estado superar as defasagens ainda existentes é o acompanhamento técnico junto aos municípios que precisam.