Recorde de R$ 15 bi no Tesouro Direto em agosto de 2026, impulsionado por juros, apesar de resgates

O Tesouro Direto, programa de venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, registrou um volume recorde de R$ 15 bilhões em investimentos no mês de agosto de 2026. Este montante representa o maior valor mensal já aplicado na série histórica do programa, refletindo o crescente interesse dos brasileiros em diversificar suas carteiras em um cenário econômico desafiador. No período, foram contabilizadas 1,32 milhão de operações, com um valor médio de R$ 11.366,43 por transação.

Os dados, divulgados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, chegam em um contexto de taxas de juros ainda elevadas no Brasil. A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13,75% ao ano, mesmo após o quinto corte consecutivo realizado pelo Banco Central em 16 de setembro, o que continua a tornar os investimentos em renda fixa atrativos. Para mais detalhes, confira a íntegra do balanço (PDF – 518 kB).

A análise detalhada das aplicações em agosto de 2026 revela um panorama interessante sobre o comportamento dos investidores. Os títulos indexados à taxa Selic foram os mais procurados, somando R$ 7 bilhões em vendas e correspondendo a 46,9% do total. Dentro dessa categoria, o Tesouro Selic representou 35,8% das vendas, com R$ 5,37 bilhões, enquanto o Tesouro Reserva alcançou 11,1%, ou R$ 1,67 bilhão.

Chama a atenção que, apesar do volume financeiro recorde, a maioria das operações foi de pequeno valor. As aplicações de até R$ 1.000 responderam por 55,7% do total de transações realizadas no mês, indicando a popularização do Tesouro Direto entre investidores com menor capital. Os títulos vinculados à inflação, como Tesouro IPCA+, Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+, também tiveram participação significativa, totalizando R$ 5,5 bilhões em vendas, ou 36,3% do total. Já os títulos prefixados movimentaram R$ 2,5 bilhões, representando 16,7% das vendas.

Quanto ao prazo de vencimento, a preferência dos investidores se dividiu entre papéis de médio e longo prazo. Cerca de 45,2% das aplicações foram destinadas a títulos com vencimento entre 1 e 5 anos, enquanto 43,2% optaram por prazos entre 5 e 10 anos. Títulos com vencimento superior a 10 anos representaram 11,7% das escolhas.

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