
O evento climático Super El Niño influenciará na primeira onda de calor da primavera de 2026 que deve começar neste sábado (26) e durar até a próxima segunda-feira (30) no Brasil. Em cerca de seis estados do país as temperaturas oscilarão de 30 °C e podem alcançar o marco de 40 °C.
Segundo o meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o calor extremo é uma combinação do fenômeno com outras mudanças climáticas que já estavam previstas e que são normais nessa época do ano.
Caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico e Atlântico, que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas, o El Niño afeta todo o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país.
Em geral, o El Niño “trava” as frentes frias mais ao sul e os ventos predominantes de norte proporcionam temperaturas mais altas. Além disso, temos o efeito das mudanças climáticas que, por si só, já mantém as temperaturas mais altas.
Quais serão as áreas afetadas pelo calor?
Nesta quinta-feira (24) o INMET (Instituto nacional de Meteorologia) emitiu aviso vermelho para onda de calor nas seguintes regiões:
Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território;
Cenrto e do sul de Mato Grosso, incluindo a capital, Cuiabá;
Centro, do sul e do oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital;
Sul e no sudeste de Minas Gerais, em áreas próximas aos municípios de Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.
Apesar deste cenário, o especialista explica que o El Niño também será intenso no frio.
Neste caso, com a circulação afetada na atmosfera, há uma uma mudança na rota da chuva e das áreas de ar seco. Isso resulta em frentes estacionadas na Região Sul, que podem causar chuvas excessivas. Já nas outras regiões, o calor é intensificado porque o ar quente e se desloca para cima, dificultando a formação de nuvens e resultando em menos chuvas.
“No centro-norte do país elas já vem ocorrendo de forma forte e persistente e continuam assim. No Sul, em SP, no Rio e no Centro-Oeste vão ocorrer mais vezes, mas elas serão sempre curtas e intercalam com períodos de muita chuva. Ou seja, 4-5 dias quentes, intercalando com 4-5 dias de muita chuva e pouco calor”, ressalta o meteorologista.
Calor intenso pode causar desidratação e mortes
Segundo uma projeção publicada na revista Climate Impact Lab, ligada a pesquisadores da Universidade de Chicago, o calor extremo pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação a um ano normal.
