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Uma estudante aprovada no curso de Medicina por meio do sistema de cotas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, teve sua matrícula cancelada após não ser reconhecida como parda pela comissão de heteroidentificação da instituição. A jovem, que preferiu não se identificar, afirmou: “A única certeza que eu tinha era minha cor”.
O caso ganhou repercussão nacional nesta terça-feira (5), ao levantar o debate sobre os critérios adotados por universidades para validação da autodeclaração étnico-racial. A estudante foi aprovada pela ampla concorrência e também pelas cotas destinadas a pessoas negras e pardas. No entanto, teve a matrícula anulada após a comissão considerar que suas características fenotípicas não correspondiam ao grupo racial ao qual se declarou pertencer.
Em nota, a UFPel afirmou que o processo segue normas do Ministério da Educação e que a comissão atua com base em critérios técnicos, levando em conta características como cor da pele, traços faciais e textura do cabelo. Ainda segundo a universidade, há possibilidade de recurso administrativo.
O caso reacende discussões sobre os limites da autodeclaração racial no sistema de cotas e sobre o papel das comissões de heteroidentificação. Especialistas apontam que essas comissões foram criadas justamente para evitar fraudes, mas alertam para a necessidade de transparência e critérios objetivos, a fim de evitar injustiças e subjetividades excessivas.
A estudante declarou que irá recorrer da decisão, mas ainda não sabe se conseguirá manter a vaga. “É muito doloroso ter meu pertencimento questionado. A dor maior é essa: de ser negada por quem você é”, afirmou. O caso segue em análise e pode gerar desdobramentos judiciais.
*Com informações do G1.