A MISÉRIA E O LUXO DURANTE A PANDEMIA
Os rebatimentos da pandemia da COVID-19, têm tido repercussão sobre todos os setores da economia, especialmente na vida das pessoas mais pobres, que além de mais afetadas pela própria doença pelo fato de estarem mais expostas a contaminação pelas próprias condições de desigualdades em que vivem, forçadas a não poderem respeitar um isolamento social mais rígido como recomendado, pois são levadas todos os dias a buscarem o de comer pra botar na panela e para alimentar suas famílias.
Essa realidade fica cada vez mais evidenciada pelo número crescente de pessoas atendidas pelo auxílio emergencial, ainda que insuficiente, mas que para a maioria é única fonte de renda e meio de sobrevivência. Essa dura e desumana realidade tem levado milhões de pessoas em todo o País, de volta aos lixões em busca de comida, como era comum nos anos 80 e 90.
Paradoxalmente uma outra realidade é observada no chamado mundo do luxo. Isso mesmo, enquanto milhões brasileiros estão vivendo a míngua de tudo um uma parcela significativa da elite econômica brasileira, alimenta e movimenta o mercado e o consumo de alto luxo, mesmo nessa fase mais aguda da pandemia.
Dados de novembro – 2020, publicados pelo Fashion United, estima um forte crescimento para o mercado de luxo em plena pandemia. A Infracommerce que trabalha com produtos de alto luxo como Dior, Chanel, Cartier, Montblanc, Hermés reaberta em 11de abril na cidade de Guangzhou na China faturou apenas neste dia 2,7 milhões de dólares afirma-se que essas marcas tiveram crescimento de 93%, em plena pandemia, enquanto milhões de crianças não têm o que comer nem um teto para morar.
Infelizmente não podemos prever exatamente como será o futuro da moda de luxo no nosso país, ou até de outros segmentos.
Rosa Carvalho – Professora Universitária
