Cearense preso por engano no lugar do ‘Maníaco da Moto’ relata alívio após liberdade, mas diz ter ‘sequelas’

“Existem muitos inocentes lá dentro.” Após cinco anos preso injustamente, Antônio Cláudio Castro saiu da cadeia e fez uma promessa: lutar em defesa de vítimas de erro judiciário. Sua história se confundiu por anos com a do “Maníaco da Moto”, um estuprador em série que aterrorizou Fortaleza entre 2014 e 2015. Onze anos após os crimes, o verdadeiro culpado, Warley Carvalho Dias, foi preso.

A história do erro começou em 2014. Conforme relatos das vítimas, o criminoso abordava mulheres em ruas isoladas de bairros como Parangaba, Maraponga e Vila Peri, usando uma moto vermelha. Naquele mesmo ano, Antônio Cláudio foi preso acusado de ser o maníaco, após uma menina de 11 anos afirmar ter reconhecido a voz do estuprador como a dele. Em 2018, ele foi condenado a nove anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável, já cumprindo prisão preventiva há quatro.

A reviravolta só veio em 2019. Uma análise mais aprofundada das provas mostrou que Cláudio era pelo menos 20 centímetros mais baixo que o homem filmado por câmeras de segurança. As vítimas também descreviam o criminoso como possuidor de uma cicatriz no rosto, algo que Antônio Cláudio não tem. Inocentado, ele finalmente foi solto em julho de 2019.

Em um relato ao Bom Dia Ceará, Antônio Cláudio descreve o sofrimento de saber ser inocente e estar atrás das grades. “Passei dias sofrendo. Eu sofro todos os dias. Imagina a dor que era saber que eu não cometi um crime”, disse. “Paguei, né, por tudo que um criminoso cometeu. E os criminosos ainda continuaram de cabeça erguida, rindo das inspetoras, rindo do Estado.”

Foi na prisão que ele começou a trabalhar sua “inteligência” e, com a ajuda de amigos que fez no sistema, buscou provar sua inocência e identificar o verdadeiro culpado. A notícia da prisão de Warley Carvalho Dias veio em uma ligação à meia-noite. “Claudio, o verdadeiro criminoso está preso. A sua honra está limpa”, lembra ele de ter ouvido. “Porque, querendo ou não, a minha honra não estava limpa. Então, eu não sabia se eu chorava, se eu pulava, se eu gritava.”

Desde que foi solto, Antônio Cláudio deixou Fortaleza e tentou recomeçar a vida em Tianguá, cidade serrana a mais de 300 km da capital. Ele abriu um pequeno negócio e dá palestras sobre sua experiência. No entanto, o período na cadeia deixou marcas profundas.

“Toda a minha família adquiriu sequelas”, contou. Ele revela que seu trauma foi considerado “trauma de guerra” e que, às vezes, fica “estático numa cadeira, olhando pra frente”. São nesses momentos que sua filha se aproxima: “Ela vem com aquela doçura toda, pega no meu rosto e diz: ‘Papai, você está bem?’ Aí eu digo que estou. Ela: ‘Tá não, papai. Mas eu te amo mil milhões’.”

Sua relação com a liberdade hoje é intensa e simbólica. “Quando eu pego a minha moto, eu coloco meus dedos aqui e vou sentindo, cara, a brisa batendo no meu rosto.” Ele descreve sua vida agora como uma “engrenagem” que vai caminhando devagar, onde as coisas mínimas, como os amigos e a família, são as mais importantes.

FONTE: G1 CE

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