
Mariana Costa de Menezes, 36, nasceu em Fortaleza e passou por muitas batalhas até ser aprovada no curso de Medicina na Universidade Federal do Cariri (UFCA) para o segundo semestre deste ano.
Ela largou o trabalho durante a pandemia para se dedicar por dois anos integralmente aos estudos, recebeu um diagnóstico de câncer no meio do caminho, fez o tratamento enquanto estudava e perdeu o pai no dia da prova. Mariana sempre teve interesse pela área da saúde, mas o curso de Medicina parecia distante por questões financeiras.
Ela então entrou no curso de Farmácia por influência de sua irmã, mas sempre observou um desejo de, por meio de sua profissão, ajudar ainda mais pessoas. A jovem trabalhou em laboratórios e sempre sentiu o desejo de querer ver “além da amostra”, se referindo ao paciente e todos seus elementos.
Quando, no caminho dos estudos, estava fazendo mestrado em Patologia, Mariana teve contato direto com pacientes que precisavam de atenção: “Aquilo ali para mim foi um ponto crucial”.”Quando eu fiz o meu mestrado, que eu tive contato direto com os pacientes, me deu um salto, uma alegria dentro do coração […] O paciente relatando tudo aquilo que eu estava lendo nos livros. Então, aquilo ali para mim foi um ponto crucial de eu saber, quero estar aqui, eu quero estar escutando essas histórias, eu quero estar contribuindo para que ele não sinta isso”, detalha.
Desligamento de emprego estável para focar nos estudos
A decisão de se desligar do emprego e ficar nos estudos veio então em 2020, quando Mariana trabalhava na supervisão de um laboratório, durante a pandemia de Covid-19. Com o apoio de toda a família e amigos, a jovem entrou em uma jornada focada no aprendizado, fazendo cursinho e estudando durante dois anos, se dedicando exclusivamente para seu sonho de cursar Medicina.
Diagnóstico de câncer de mama
No dia primeiro de março de 2023, Mariana teve uma notícia que iria mudar, mais uma vez, sua vida. Enquanto recebia o resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), também chegava o resultado de um exame, que indicava o diagnóstico de um câncer de mama. Contando com todo apoio possível, Mariana decidiu seguir em uma jornada dupla, estudando para cursar Medicina enquanto entrava no processo para enfrentar a doença.
Em meio às dores e enjoos da quimioterapia, Mariana começou a usar o estudo para vislumbrar seu futuro, e saber que através dele, teria um próximo passo.
Pai morreu no dia da prova
O tempo foi passando e a jovem persistiu estudando com ajuda de amigos e familiares. No Enem de 2024, logo após realizar o primeiro dia de prova, outra notícia chegava para estremecer mais uma vez seu caminho. Seu pai havia morrido no mesmo dia da prova. Cogitando não ir no segundo dia de prova, no final de semana seguinte, Mariana lembrou das conversas que teve com seu pai e de como ele a incentivava. Então, decidiu realizar o exame.
Processo de “renovação de vida”
Após um período de mais de quatro anos estudando e batalhando por um objetivo, Mariana foi aprovada para cursar Medicina, no segundo semestre, em Barbalha: “Considero isso uma renovação de vida”. Em processo de mudança de Cidade, a jovem planeja os próximos passos de sua nova vida.”
Hoje eu penso muito no que eu posso fazer agora, no que eu posso fazer para daqui a pouco”. Mariana conta que tem o desejo de atuar com pacientes oncológicos, utilizando de sua experiência pessoal para ajudar quem passa pelo mesmo. ”Sempre fui muito acostumada a fazer cálculos de planejamento, de colocar no papel exatamente aquilo que iria acontecer. E aí o câncer veio e me mostrou que eu não tenho é controle sobre nada. O que eu posso fazer é hoje e agora”.
*Texto publicado original pelo jornal O Povo.