Uso de IA no estudo: ferramenta exige cuidado para não ‘apodrecer’ o cérebro, alerta especialista

Estudantes que utilizam assistentes virtuais, geradores de resumo e simulados personalizados por inteligência artificial (IA) já são uma realidade. Uma pesquisa citada por especialistas indica que sete em cada dez alunos do ensino médio usam a ferramenta.

Mas até que ponto essa tecnologia pode melhorar o desempenho e quais os cuidados necessários para um uso ético e eficiente?

Em entrevista ao g1, o professor Ademar Celedônio, especialista em ensino e inovações educacionais, traçou um panorama da IA até o atual patamar das “IAs generativas”, que têm um “poder de transformação social muito intenso”.

O poder da IA
Celedônio compara o surgimento das IAs generativas, a partir de 2022, a tecnologias transformadoras como o petróleo e a eletricidade. O ChatGPT, por exemplo, atingiu 100 milhões de usuários em apenas dois meses e atualmente conta com 700 milhões de usuários semanais, segundo o professor.

Essas ferramentas, explica o especialista, são treinadas escaneando praticamente todo o conteúdo da internet e de livros. Por meio de comandos (prompts), elas combinam palavras e conceitos com uma velocidade incomparável à capacidade humana. No entanto, ele alerta para um risco inerente: a “alucinação” da IA, que na verdade é um “erro algoritmo” que pode levar a máquina a inventar informações.

Como usar IA nos estudos de forma eficaz
Para o estudante que quer usar a IA, por exemplo, para corrigir uma redação do Enem, Celedônio dá a chave: aprender a fazer boas perguntas.
“Se você chega lá e diz assim, ‘corrija essa redação para mim’, ele vai pegar todas as informações que tem lá e vai, de certa forma, fazer aquela correção. Mas se você disser, ‘você conhece o modelo do Enem? Você tem redações do Enem? O que é corrigir uma boa redação do Enem?’… você vai afunilando o nível de informação”, explica.

Esse direcionamento resulta em uma correção mais precisa. O especialista ressalta que isso representa uma grande mudança na educação. “A gente, como professor, sempre ensinou para todos eles a responderem perguntas. Agora, o papel da educação, muitas vezes, é ensinar eles a saberem perguntar.”

Riscos éticos e vícios
Celedônio alerta para os perigos dos vieses nos algoritmos, que podem refletir preconceitos de seus criadores e produzir respostas enviesadas sobre temas sociais complexos. A quebra de direitos autorais no treinamento dessas IAs é outra grande questão em aberto.

Outro risco sério é o vício e a perda de capacidade cognitiva. O professor cita estudos, inclusive do MIT, que mostram que alunos que usam o ChatGPT como primeira fonte de estudo não conseguem absorver o conteúdo posteriormente.

“Isso já está acontecendo. Isso é uma coisa que a gente tem que alertar”, diz. Ele compara o processo à automatização de tarefas, como trocar a marcha de um carro. “Naquela hora em que eu entrego a primeira escrita do meu texto para a máquina, eu, de certa forma, estou automatizando isso e eu começo a parar de pensar. Que é a história que é a grande palavra de apodrecer o cérebro.”

Em 2024, o Dicionário Oxford elegeu “brain rot” (cérebro podre, em inglês), como a palavra do ano. O termo se refere à deterioração mental causada pelo excesso de conteúdos superficiais e pouco desafiadores, como os de redes sociais.

A lei que tira o celular da sala de aula, recentemente aprovada no Brasil, é um primeiro passo importante, na visão dele, para combater a dispersão e a queda no desempenho, observada em avaliações internacionais como o PISA.

Da prova oral ao prompt da imagem
Para identificar trabalhos feitos por IA, os professores estão se adaptando. Celedônio afirma que, em geral, é possível perceber. “São textos muito bem construídos, com palavras mais rebuscadas, mas que de maneira geral… não tem um grande nível de profundidade teórica.” O uso excessivo de travessões e adjetivos incomuns no português do Brasil são pistas.

A reação dos educadores tem sido criativa: alguns estão resgatando as provas orais, onde o aluno precisa explicar o que supostamente pesquisou.

Outros pedem que os alunos usem a IA para gerar uma imagem baseada em um livro e depois defendam oralmente a criação, explicando a relação com a obra.

Domine a tecnologia
Para o estudante que quer introduzir a IA nos estudos de forma responsável, Ademar Celedônio deixa um conselho: “A IA, de certa forma, vai ser o seu parâmetro geral para a sua vida… Mas não terceirize o seu conhecimento. Não coloque o seu primeiro pensamento dentro da IA. Pense antes, rascunhe e depois é que você passe a usar. Porque isso vai fazer com que você, cada vez mais, domine as tecnologias com consciência crítica e ética.”

Fonte: G1 Ceará.

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